quinta-feira, 2 de julho de 2009

PERSPECTIVAS ECONÔMICAS DO CRÉDITO IMOBILIÁRIO AO CONSUMIDOR.



Os últimos dados divulgados pelo IBGE acerca do PIB brasileiro mostram que já se vive um quadro de recessão na Economia Brasileira. Para tanto, os dados apontam para a queda de 0,8% do PIB no primeiro trimestre de 2009, e essa variação corresponde à comparação com o último trimestre de 2008 que já demonstrava queda de 3,6% em relação ao trimestre anterior. Doravante, o Governo Federal deve adotar mais medidas anticíclicas para alavancar a economia. Entre as mais esperadas temos a redução dos juros básicos da Economia que já estão em trajetória descendente com 9,25% ao ano, e em sintonia com estas reduções devem seguir melhorias nas facilidades de acesso ao crédito. Tais medidas visam ampliar o investimento e o consumo impulsionando a demanda agregada da Economia Brasileira. Portanto, os consumidores devem ficar atentos às facilidades na compra de bens, principalmente, imóveis.
O setor da construção civil é um dos que mais empregam e por isso deve ter um tratamento atencioso como mecanismo de recuperação da Economia Brasileira. Além disso, o crédito imobiliário está mais acessível ao consumidor, e nos últimos meses os bancos têm facilitado as condições e os prazos de financiamento da casa própria. Em maio de 2009, o Bradesco ampliou o prazo de financiamento de 25 para 30 anos e reduziu a taxa de 10% para 8,9% ao ano mais a TR (taxa referencial) para imóveis de até 120.000 mil. O Banco do Brasil no mês de junho alongou o prazo de financiamento também para 30 anos e reduziu em algumas faixas para até 8,4% ao ano mais a TR. Na C.E.F. (Caixa Econômica Federal) os juros variavam de 8,4% até 11,4% mais a TR dependendo da faixa que o valor do imóvel se enquadra. No entanto, com as novas condições adotadas pela Caixa Econômica os juros podem cair para até 8,2% ao ano mais a TR dependendo do valor do imóvel e do nível de relacionamento do cliente com o Banco.
Outros Bancos também estão operando neste Mercado como o Banco Nossa Caixa e o Itaú. Então, o acirramento da concorrência é necessário para a melhoria das condições para o consumidor. É regra geral que na maioria dos bancos citados houve o aumento do importe disponível para crédito imobiliário. Outra variável a ser observada é que os limites para o comprometimento da renda do consumidor chegam até 30% do valor da prestação.
Diante deste cenário de recessão e ao mesmo tempo de facilidade na aquisição da casa própria. O consumidor deve estar se questionando: comprar ou esperar? É importante pesquisar os juros dos empréstimos, pois como vimos eles mudaram muito nos últimos meses, e podem continuar a aparecer mais facilidades. É necessário adequar a capacidade de pagamento ao financiamento do imóvel, assim, o comprometimento menor da renda do consumidor com a prestação pode lhe dar melhores condições de negócio, por exemplo, um comprometimento de 10% com a prestação trazem menos riscos ao Banco e ao consumidor.
O consumidor deve observar qual a faixa de valor do imóvel que quer adquirir. Dependendo da faixa, um ou outro Banco pode ser mais vantajoso. Atenção redobrada para o CET (Custo Efetivo Total ou de Financiamento) que inclui tudo que o consumidor vai pagar (seguros, juros e outros encargos), não devendo se iludir com taxas de juros menores. Comprar imóveis necessita de planejamento e então, se estiver nos planos do consumidor, este pode ser um bom momento.
Portanto, apesar de vários setores da Economia passar por dificuldades. O setor imobiliário, no quesito crédito não sofre deste entrave. Assim, com os programas federais que subsidiam a aquisição da casa própria para os consumidores de baixa renda aliados as melhores condições de crédito oferecidas pelo aumento da concorrência, temos um cenário otimista quanto a este setor para o ano de 2009, mesmo diante da recessão econômica.

Almir Bruno
Professor de Economia da Universidade Federal do Maranhão

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